Lluvia brasileña

Tom Jobim & Elis Regina



Chovendo na roseira

Olha está chovendo na roseira

Que só dá rosa, mas não cheira

A frescura das gotas úmidas

Que é de Luísa

Que é de Paulinho

Que é de João

Que é de ninguém


Pétalas de rosa carregadas pelo vento

Um amor tão puro carregou meu pensamento


Olha um tico-tico mora ao lado

E passeando no molhado

Adivinhou a primavera


Olha que chuva boa prazenteira

Que vem molhar minha roseira

Chuva boa criadeira

Que molha a terra

Que enche o rio

Que limpa o céu

Que trás o azul


Olha o jasmineiro está florido

E o riachinho de água esperta

Se lança em vasto rio de águas calmas


Ah, você é de ninguém

Você é de ninguém





Águas de março

É pau, é pedra

É o fim do caminho

É um resto de toco

É um pouco sozinho

É um caco de vidro

É a vida, é o sol

É a noite, é a morte

É um laço, é o anzol

É peroba no campo

É o nó da madeir
a
Caingá candeia

É o matita pereira

É madeira de vento

Tombo da ribanceira

É o mistério profundo

É o queira ou não queira

É o vento ventando

É o fim da ladeira

É a viga, é o vão

Festa da cumeeira

É a chuva chovendo

É conversa ribeira

Das águas de março

É o fim da canseira

É o pé, é o chão

É a marcha estradeira
Passarinho na mão

Pedra de atiradeira

É uma ave no céu

É uma ave no chão

É um regato, é uma fonte

É um pedaço de pão

É o fundo do poço

É o fim do caminho

No rosto um desgosto

É um pouco sozinho

É um estepe, é um prego

É uma conta, é um conto

É um pingo pingando

É uma ponta, é um ponto

É um peixe, é um gesto

É uma prata brilhando

É a luz da manhã

É o tijolo chegando

É a lenha, é o dia

É o fim da picada

É a garrafa de cana

O estilhaço na estrada

É o projeto da casa

É o corpo na cama

É o carro enguiçado

É a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte

É um sapo, é uma rã

É um resto de mato

Na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra

É o fim do caminho

É um resto de toco

É um pouco sozinho

É uma cobra, é um pau

É João, é José

É um espinho na mão

É um corte no pé

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

É um passo, é uma ponte

É um sapo, é uma rã

É um belo horizonte

É uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

Fotografía del picaflor: Patricio Murphy

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